quinta-feira, 29 de março de 2012

Momentos de Decisão

BUSH, George W. Momentos de Decisão. São Paulo, Ed. Novo Século, 2012. 599 páginas.

Anjo ou diabo? Talvez essa seja a melhor pergunta para definir o ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bsuh. E, acredito que talvez não consiga respondê-la! Mas, vamos lá...

O livro é autobiográfico - portanto, um pouco suspeito! Divido em 14 capítulos, narra a sua história de vida, principalmente, nas decisões que foram tomadas enquanto exercia o cargo de presidente. Mas, os capítulos mais esperados certamente são aqueles que falam de suas decisões pós-11 de setembro.Só que o livro decepciona um pouco. Realmente, ele não entrega tudo...(que já era de se esperar!)

O livro incia com uma confissão, que nãos sei se todos sabiam: Alcoolismo. O ex- presidente era alcoólatra! E,descobre isso após uma pergunta de sua esposa - Laura, questionando se ele lembrava qual fora a última vez que ele não tinha bebido álcool. Depois disso, ele conta sua vida antes de sua vida pública.

Uma passagem que me chamou muita a atenção foi quando ele comenta que não é nada fácil ser filho de político (lembrando que seu pai - George H. W. Bush, foi o 41o presidente dos EUA, de 1989-93). Sei bem o que é isso...

Para quem se interessa, o livro é uma aula de política estadunidense. No capítulo 3 - Equipe, ele escreve sobre a difícil missão de montar uma ótima equipe, desde a escolha de um 'simples' aliado à escolha do vice-presidente. E, mais uma vez, para quem entende e estuda o assunto, deve concordar comigo que ele fez boas escolhas: Dick Cheney - vice, Donald Rumsfeld - secretário de Defesa, Condoleezza Rice - Conselho de Segurança Nacional e Colin Powell - secretário de Estado. Com certeza, os últimos três foram os grandes nomes da Era Bush. E, também foi falado das crises internas de seus governo, principalmente dos conflitos entre Rumsfeld e Powell (que não é muito diferente daqui do Brasil, onde há crises, conflitos, 'queda de braços' entre ministros...). Poucas decisões tomadas por Bush filho foram tão sensatas do que a escolha de sua equipe. 

ATENÇÃO: antes de me mandarem para a fogueira, não estou defendendo ninguém, apenas realizando uma análise política e estratégica ! E será a única! Juro!!! 

Mas, continuando...

Sua história política todo mundo conhece e, caso não, existe o 'São Google' para ajudar, portanto, vamos para o que realmente interessa - os atentados terroristas do 11 de setembro de 2001 e suas consequências.

Como todo mundo sabe, no dia 11 de Setembro de 2001, o presidente dos Estados Unidos é comunicado que os Estados Unidos da América estão sob ataque. São quatro aviões sequestrados, sendo que dois foram direto para as torres gêmeas do Word Trade Center, um para o Pentágono e outro, que ia em direção à Casa Branca, foi derrubado pelos próprios passageiros. De acordo com as palavras do próprio George W. Bush:
"Minha primeira reação foi de indignação. Como alguém ousava atacar os Estados Unidos?" (p.172 - grifo meu)


Antes do ataque, porém no mesmo dia, o relatório diário da CIA abordava a Rússia, a China e os conflitos na Faixa de Gaza. Agora, me pergunto, como  a maior potência política, econômica e militar do mundo não sabiam que seriam atacados? Bom, o livro não me deu essa resposta!  No total, 2.996 pessoas morrem no 11.09.01 e, o pós 11 de setembro?

Ele dedica três capítulos sobre esse assunto: 6. Em pé de guerra; 7. Afeganistão e 8. Iraque.

Novamente, sugiro o São Google para quem quer saber mais a respeito das Guerras do Afeganistão e do Iraque, mas, vou comentar o que mais me deixou perplexa...

Vou transcrever:

"Sob minha direção, o Departamento de Justiça e os advogados da CIA fizeram uma cuidadosa análise jurídica e concluíram que o programa aprimorado de interrogatório respeitava a Constituição e todas  as leis aplicáveis , incluindo as que proibiam a tortura.
Dei uma olhada na lista de técnicas. Duas delas passavam dos limites, mesmo sendo consideradas legais. Orientei à CIA a não usá-las. Outra técnica era o afogamento simulado. Certamente um procedimento severo, mas os especialistas médicos garantiram à CIA que não causavam danos permanentes.
(...) Acima das suposições, a escolha entre segurança e valores era real. Se eu não tivesse autorizado a aplicação do afogamento simulado a líderes do alto comando da Al Qaeda, teria de aceitar a ameaça de um novo ataque ao país. (...) Assim sendo, eu aprovei o uso das técnias de interrogatório." (p.224. grifos meus)


Apenas uma observação:  Afogamento simulado é uma técnica de tortura...


E o ex-presidente continua...

"Anos depois, uma vez que a ameaça parecia menos urgente e as tendências políticas mudaram, muitos legisladores se tornaram críticos contundentes, acusando os americanos de cometerem  tortura ilegal. Não era verdade. Altas autoridades jurídicas do governo dos Estados Unidos analisaram os métodos de interrogatório e me garantiram que não constituíam tortura. Sugerir que nossos funcionários da inteligência violaram a lei ao seguir orientação jurídica que receberam é insultante e errado." (p.227. grifos meus)

Bom, aqui cabe um: George W. Bush, o senhor é um fanfarrão! 

Um outro capítulo interessante é sobre o Iraque... Nesse, ele praticamente - não de forma tão clara, mas que foi uma grande besteira que eles fizeram. Afinal, não foram encontradas armas de destruição em massa. As primeiras bombas caíram em Bagdá em 19 de março de 2003. Lembrando que o presidente dos EUA tomou  a decisão de invadir o Iraque sem a autorização da ONU. Saddan Houssein foi deposto do poder e morto em 30 de dezembro de 2006.

Nos outros capítulos, nada de muito novo! O velho e bom discurso de liberdade e democracia tomam conta das linhas. Desde a relação com a Rússia até o furacão Katrina, que devastou a costa do Golfo, em Nova Orleans. 

Tem ainda muita coisa para discutir a respeito da biografia de George W. Bush, mas não vou me alongar. Acho, inclusive, que já escrevi muito. Mas, apesar de tudo, é um livro que vale a pena ler! Tentar entender o que pensa, como as decisões são tomadas, qual a postura de um 'líder político'... E, por mais que não concordemos com sua postura e com seu discurso, ele entrou para a história e só ela pode dizer se as decisões tomadas foram ou não certas! 

E, para encerrar, nada melhor do que uma frase que marcou a Era George Walker Bush:

"A guerra é nada mais do que a continuação da política por outros meios." Karl von Clausewitz 

terça-feira, 6 de março de 2012

Onze

WATSON, Mark. Onze. São Paulo: Rai, 2011.

Sabe aquela velha história de que a propaganda é a alma do negócio? Pois bem, esse livro é um grande exemplo disso... Na capa do livro: "Se você adorou Um dia, de David Nichols, este livro é para você." Na verdade, não é bem assim! O livro Um dia é beeeem melhor que este e a história então, diferentes!

Apesar de não ser um grande livro, mas história/tema é boa! Narra a vida de 11 personagens que sem saberem, estão interligados. O personagem principal se chama Xavier Ireland, australiano, mas mora em Londres e é radialista do programa Linha da Madruagda, que tem como ouvintes insones à espera de palavras de conforto.


O mais interessante é que um simples ato, de uma única pessoa pode e atinge diretamente outras 10 pessoas, uma reação em cadeia com inevitáveis e inimagináveis consequências. Portanto, uma ação não feita por Xavier muda a vida de 1) Alessandro Romano - barman italiano, 2) Edith Thorne - apresentadora de TV, 3) Stacey Collins - jornalista,  4)Maggie - psicóloga, 5) Roger - corretor imobiliário, 6) Ollie - corretor imobiliário, 7) Jullius - estudante e obeso,8) Andrew Ryan - proprietário de um restaurante,9) Jaqueline Carstains - crítica gastronômica, 10)  Frankie - filho de Jaqueline. 



Esse livro me fez pensar sobre os nossos atos e suas consequências. Pode parecer auto-ajuda, ou 'momento de filosofar', mas é verdade... Impressionante como uma única pessoa consegue transformar a vida de outras tantas, como um simples ato, uma decisão, uma palavra dita... uma única coisa, pode ser capaz de mudar uma vida! Isso me lembra uma frase que li recentemente, que fala sobre consequência...

 "Não há nada no mundo, nem recompensa, nem castigo, o que há são consequências." Robert Green Ingersoll

Um ato... muitas vidas...

"Numa quitinete alugada em Tottenham, o barman italiano Alessandro Romano está com o coração partido ao voltar para a casa, às duas da manhã, porque foi abandonado por sua amante Edith Thorne, porque ela tinha de salvar o casamento, porque foi denunciada pela jornalista Stacey Collins, porque sua amiga Maggie perdeu a fé no emprego e decidiu espalhar os podres de seus clientes, porque um corretor imobiliário chamado Roger foi rude com ela, porque ele recebeu acidentalmente uma mensagem desagradável de seu colega Ollie, que estava usando um celular provisório, porque o seu BlackBerry foi roubado por um garoto gordo, Julius, porque o garoto precisava de dinheiro para a mensalidade da academia, porque ele foi despedido pelo dono do restaurante egoísta Andrew Ryan, que estava reagindo a uma crítica destrutiva, que foi escrita por Jaqueline Carstain, que estava de ma humor porque o filho dela, Frankie, foi espancado, porque Xavier não impediu os agressores."p.221

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Casa

VIANCO, André. A casa. Osasco: Novo Tempo; 2008. 227 páginas


É impressionante como as histórias escritas em algumas páginas conseguem nos levar para um mundo no qual não pertencemos, com personagens que não convivemos e vidas que não são nossas, mas que, ao lermos a ultima linha, temos a certeza de que, mesmo sendo outras vidas, poderiam ser as nossas vidas! Nos envolvemos de tal forma que imaginamos cada personagem, vivemos cada história e sofremos cada dor sentida! E esse livro é um grande exemplo disso... Por sinal, quem vê a capa desse livro não imagina que seja tão "tocante e sensível, surpreendente e hipnótico. Uma viagem obrigatória para os que buscam algo para mexer com a mente e o coração."

Acredito que pouquíssimas pessoas conheçam o escritor André Vianco, brasileiro, morador de Osasco/SP e que é mais conhecido pelos seus livros de vampiros (que são excelentes!). Porém, quem ainda não teve a oportunidade de ler um livro dele, comece por esse! Não é a primeira vez que leio esse livro e cada vez que o faço, tenho as mesmas sensações, tal como a primeira vez!

São páginas recheadas com a história de quatro pessoas que, em algum determinado momento de suas vidas deram um passo errado, ou mesmo foram transformados por passos errados de outras pessoas, mas que mudaram suas vidas. Foram anos de sofrimento, de muita dor, muito arrependimento e eternos questionamentos de "por que eu?", "por que comigo?"... Vidas transformadas, vidas destruídas, vidas sem esperanças, vidas sem vida!

Mas, por ironia - ou não - do destino ou da vida, essas quatros pessoas tiveram a oportunidade de voltar e consertarem o passado. Que, como dizia W. Shakespeare: Jogamos o passado no abismo, mas não nos viramos para ver se ele está realmente morto. E, ele nunca está! Só que naquele momento, naquele exato momento em que entram na casa e ficam diante da sua porta, da porta da sua vida, cada um teve a chance à uma segunda chance!

É impossível não se emocionar com as palavras escritas nesse livro! Já na primeira página, o autor tem a sensibilidade de começar com um simples e forte resumo do que vamos encontrar nas próximas 227 páginas:

"Vou contar a história de quarto corações perdidos, quatro corações que foram açoitados e que neste conto vão se encontrar. Quatro corações que estiveram naquela casa e que nela acharam a paz. Não duvide do poder da casa, pois eu já estive lá, e a força é de impressionar. Ela cura qualquer coração. Não sei se você me entendeu bem, mas eu disse: "qualquer" coração."

É um livro que fala da dor da perda, do arrependimento, dos erros cometido, da falta de esperança, da solidão, da vontade de voltar ao passado, da necessidade de perdoar e ser perdoado!!! É um livro lindíssimo, sensível, triste, encantador e que, com certeza, vai ter arrancar muitas lágrimas...

"Hélio tirou uma lágrima que desprendia do olho. Em seguida passou a mão sobre o cabelo da filha. Abaixou-se e beijou-lhe a testa. Acalmou-se. sabia a história de cor, mesmo assim, esforçando-se para não desatar o aperto de mão, apanhou o livro na cabeceira. Abriu na página que exibia o cavaleiro em frente à cela do  calabouço, brandindo sua espada heroicamente.
-"...vem, princesinha!- bradou o valente fidalgo. - Saia da escuridão e vamos embora daqui. Não tenha medo princesinha, pois eu já matei o dragão e venci a malvada bruxa. Já limpei o caminho até nosso ensolarado castelo onde te espera o amor e a compreensão. Vem, princesinha! Deixa essa cela escura e me dê a mão". - declarou o pai de Mariana, emocionado, olhando para a pequena princesinha que, finalmente, por obra divina, atendia seu chamado e apertava-lhe a mão."p.227

domingo, 19 de fevereiro de 2012

De Esperança e de Promessa

BOURDIN, Françoise. De esperança e de promessa. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011. 322páginas


Mais um livro, mais um história de idas e vindas... "a la Xico Sá": 


Que o amor é como campeonato baiano, tem ida e volta, turno e returno: “O que importa, /É que um dia você volte, pra ficar,/ Vá, conheça, tudo que não pude oferecer, /Vá pela vida adormecida dos seu olhos, /Pela avenida, ao encontro das ilusões, /E quando você se cansar...”   (http://xicosa.folha.blog.uol.com.br/)


Mas, não é tão simples como os versos de Wando!!!


Nessas idas e vindas, partidas e chegadas, turno e returno... muitos corações partidos e histórias mal acabadas - ou não acabadas...


O livro conta a história de Anaba, uma jovem francesa ameríndia, que se apaixona por Lawrence, canadense, advogado bem-sucedido e com um futuro brilhante, e começam a escrever uma bela história de amor... porém, no dia do seu casamento, em frente ao tribunal de Montreal, Anaba vê seu sonho se tornar pesadelo! Depois de muito esperar, em seu vestido de noiva e ao lado da sua irmã, Stéphanie, recebe a notícia que jamais imaginou: Lawrence desistira do casamento! De acordo com Augustin (melhor amigo do noivo), o motivo foi a falta de preparo para o casamento e para construir uma família!


Vendo sua vida desmoronar, como coração partido e, pior, a sua alma ferida, se sentindo humilhada e desrespeitada, Anaba retorna à França e tenta retomar a sua vida! Vai morar com a irmã - depois de ter vendido tudo para ir morar em Montreal - em uma cidadezinha na região na Normandia, começa a trabalhar em um antiquário q Stéphanie mantém em sua casa, restaurando imóveis e quadros.


O tempo passa e Anaba tenta cicatrizar as feridas. Enquanto isso, Lawrence - em Montreal - vê sua vida mudar por completo! Extremamente endividado, perde o emprego e todo o status que a vida lhe proporcionou. De acordo com o livro, o personagem não para de pensar em Anaba, que vai tentar reconquistá-la a qualquer custo! 


Há dois personagens bem interessantes: Augustin, que é escritor de livros policiais, que tem como personagem principal de seus livros, Max Delavigne, sucesso na profissão e fracasso no amor... e Roland, pai de Anaba e Stéphanie, professor aposentado e apaixonado por livros!


Bom, por muitas vezes isso não ficou muito claro pra mim! A sensação que eu tive é que Lawrence até poderia gostar de Anaba, mas não fiquei convencida de que era amor e que o arrependimento o deixou transtornado! E assim o livro se desenrola... Novos amores, antigos amores, idas e vindas, partidas e chegadas... E, sempre a mesma pergunta: afinal, o amor supera mesmo tudo?


E assim, de acordo com Xico Sá: Que os corpos se entendem, mas almas nem sempre: “Razões tenho demais pra te deixar e ir embora/O que é que eu vou fazer /O que é que eu vou dizer para o meu corpo /Que vai ficar vazio e quase morto”. Que nunca devemos cair no conto das discussões complicadas e labirínticas: “Uma mulher tem os seus desejos loucos, mas no fundo/ Seu coração só quer as coisas mais simples do mundo”. (http://xicosa.folha.blog.uol.com.br/) 


"- Estou destruído - murmurou ele.
- Você? Não, não inverta os papéis. Você literalmente me pisoteou, Lawrence. O coração, a confiança, a autoestima, tudo ficou em pedaços, achei que nunca ia me recuperar. Mas o pior era o imenso amor com o qual eu não sabia o que fazer, que não tinha mais razão de ser, que caía num vazio. Eu o amava tanto. Você nunca poderá saber o quanto eu o amava, naquela manhã, o quanto confiava em você, em nós..." p. 42

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

É tudo tão simples

LEÃO, Danuza. É tudo tão simples. Rio de Janeiro: Agir, 2011.

Que livro gostoso de ser ler... tranquilo, leve, muito divertido, super engraçado, para descansar a cabeça e com uma boa pitada de ironia!

Nunca tinha lido nada dela, apesar de ser uma colunista conhecida, fui ter contato com sua escrita apenas nesse livro!

A Danuza tenta mostrar que é tudo tão simples, mas que insistimos em complicar tudo! Ah, e não esquecendo, é um livro escrito para mulheres... Portanto, homens, nem tentem ler, pois não entenderam!!!

Além disso, ela dá dicas do que toda mulher pode/deve ter/fazer e do que não deve/pode!

Como disse anteriormente, o texto é leve e cheios de verdades (algumas bem duras!) sobre a mulher, idade, comportamento, relacionamentos, decisões, o dia a dia... Parece uma bate papo de amigas!

"As mulheres mudaram muito mesmo ao longo das últimas décadas: algumas não querem nem ouvir falar em casar e ter filhos, coisa que até uns trinta anos atrás era quase que obrigatório. Elas se deram o direito de fazer escolhas, no lugar de fazer tudo como havia sido combinado, e estão certas;só precisam saber mesmo o que querem, que é o mais difícil."p.26



Dessa vez não vou conseguir escrever muito, pois o meu notebook não está ajudando muito!!!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A Sombra da Lua

SANDFORD, John. A sombra da lua. São Paulo; Arqueiro, 2012. 262 páginas.

De acordo com a publicidade, o autor já vendeu 30 milhões de livros no mundo (sendo esse livro com mais de 3 milhões de exemplares)! Não li os outros dois livros dele "Presa Invisível" e " Presa Fácil", então, me limitarei a este que acabo de ler! Ainda estou me perguntando como ele conseguiu vender tantos livros, pois tendo como base apenas a sua obra mais atual - A sombra da lua, fica difícil imaginar que isso seja possível! O livro é bem 'mais ou menos'... Está longe de ser uma grande livro policial!!!

O livro tem como personagem principal o investigador do Departamento de Detenção Criminal de Minnessota - Virgil Flowers, um experiente policial, que é chamado para solucionar uma sequência de assassinatos que vem ocorrendo em uma cidade pequena - Bluestrem, onde há anos nada parecido ocorria. Além disso, o investigador é também escritor, que tenta desvendar os crimes através de sua própria narração! De repente, três assassinatos consecutivos levantam suspeitas de que o passado é, na verdade, o presente. Ou seja, o motivo dos assassinatos não estava tão 'enterrado' como os moradores da cidade imaginavam.

E assim a história se desenvolve... 


Tudo se resume a um único dia: 20 de julho de 1962! Alguém se lembra dessa data? Pois bem, foi o dia que, pela primeira vez na história mundial, o Homem chegou e pisou na lua! E o que parece ser uma simples data, como qualquer outra, uma festa, recheada de muitas drogas, bebidas e orgias, jamais será esquecida para uma pessoa, que depois de muitas anos, resolve fazer justiça com as próprias mãos. E, as vítimas são aquelas pessoas que viram e nada fizeram... Além disso, o autor se perde em uma outra história, sobre a produção e distribuição de metanfetamina. Não sei se a intenção do autor foi desviar o assunto para confundir o leitor, mas o que aconteceu foi que o livro ficou cansativo, muitas vezes chato e com a sensação de que a segunda história foi simplesmente jogada no livro!

Não foi nada fácil tirar uma passagem marcante do livro, vai a menos pior...

"A maconha não ajudava o raciocínio, mas era uma maravilha: relaxava, as estrelas ganhavam vida.
Precisava se concentrar. Tática. Estratégia.
Soprou a fumaça e viu a Ursa Maior passando, os vaga-lumes piscando, e perdeu-se num lingo devaneio. Por fim, roubou uma flor de um canteiro próximo e, contra a luz que vinha pela janela do quarto, começou a arrancar as pétalas, uma por uma, deixando Deus decidir.
Johnstone, Flowers, Schmidt, Johnstone, Flowers, Schmidt...
A flor tinha dezenas de pétalas, mas a decisão foi incontestável." p. 84

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Outras vidas que não a minha

CARRÈRE,Emmanuel. Outras vidas que não a minha. Rio de Janeiro; Objetiva, 2010. 220 páginas.

Antes de mais nada, que livro triste... doído de verdade! Não conhecia o autor, muito menos esse livro e comprei por causa do título - achei sensacional! Além do título, a história prometia muita emoção! E com certeza, foi emoção do início ao fim...

O livro narra a história de duas famílias e as consequências da perda, da dor, do sofrimento...

Começa falando de um casal que perde a filha de 4 anos e das milhares de pessoas que perderam suas vidas no tsunami, ocorrido no final de 2004, no Sri Lanka. Depois, o livro todo se desenvolve com a história de dois personagens, com histórias de vida semelhantes: Juliette e Éttiene. Juliette (cunhada do autor) enfrentou um linfoma (câncer no sistema linfático) quando tinha 16 anos e, aos 32 anos se depara com um novo câncer de mama com metástase para os pulmões. Por causa da radiação recebida no primeiro câncer, Juliette teve consequências físicas, com limitações nos movimentos das pernas. Mais tarde, casa com Patrice, tem 3 filhas e é juíza em Vienne/França. E é no tribunal que conhece Éttiene, também juiz e que, também passou, quando adolescente, por um câncer na perna e que teve que amputá-la! Portanto, são dois amigos sobreviventes dessa doença e com consequências físicas, exatamente nas pernas!

E assim o livro segue, contando a vida dos outros, ora impactada por notícias boas ora por notícias ruins, ora por alegrias ora por tristezas... E, como sobreviver com a perda prematura? E como seguir em frente, vivendo, depois de tanta dor?

Confesso que foi um livro um pouco difícil de ser lido, principalmente quando o autor fala sobre o impacto do câncer e do tratamento, não só na pessoa, mas em todos que estão ao seu redor! A sensação que se tem é de que a vida está sendo traída, por uma doença tão devastadora, tanto física quanto psicologicamente!

"Talvez seja isto que procuremos ao longa da vida, nada além disto, o maior sofrimento possível para nos tornarmos nós mesmos antes de morrer."p. 103

"Eu queria, esta manhã, que uma mãe estranha fechasse as minhas pálpebras. Eu estava sozinho, fechei-as então eu mesmo." p.12

"Toda vida, evidentemente, é um processo de demolição" p.65 (frase de F. Scott Fitzgerald)

"Mas uma das coisas que ele amara em Juliette é que ela não era a mulher que ele deveria ter tido normalmente. Ele a empurrara, desviara do seu trilho. Ela era a diferença, o inesperado, o milagre, o que acontece uma vez na vida e também se tivermos muita sorte. É por isso que não vou me queixar, concluiu Patrice: tive essa sorte." p. 202

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Unhas

WAINBERG, Paulo. Unhas. São Paulo; Leya, 2010. 248 páginas.

Quem em sã consciência compra um livro com o titulo de "Unhas"? Acho que só eu...
E, assim como o título, o livro é um tanto quanto estranho, sem sentido, e nexo é uma coisa que não existe nele! Uma história realmente 'sem pé nem cabeça'!!!

O livro conta a história de uma homem, com uns 40 anos, pai de família e que possui uma estranha mania de transformar o ato de cortar as unhas dos pés em um ritual (acho que deve ser por isso que o nome do livro é Unhas! Sei lá... ).
Pois bem...


Em um determinado momento de sua vida, ele se cansa da vida levada e resolve começar uma outra vida, anônima e que decide ganhar dinheiro e que lhe proporciona o extremo do prazer,'ajudando' as pessoas a eliminarem as dores de uma paixão impossível! Ele coloca anúncios em jornais, se identificando como 'Unhas', que ele era a solução para os que sofriam de amor! Atenção, esse livro está longe de ser um romance! Ele sequestra e mata as pessoas... tem um irmão que manda matar a irmã por ela não corresponder o amor dele, o pai que mantem uma relação sexual doentia com a filha e que manda matá-la também, e tem o amante que manda matar o marido... e assim a história corre! 

Eu só terminei de lê-lo por pura teimosia... Mas, ô livrinho chato e cansativo! A ideia até que é interessante, ma,s infelizmente, o autor não soube desenvolver a história! (Acredito que ele jamais lerá esse post, mas... Desculpa a sinceridade!)

A parte 'melhozinha' do livro é que o personagem principal adora livros de ficção policial e só! E a melhor parte do livro se resume em 3 páginas - entre as páginas 125 e 127.

E a melhor frase do livro todo é: " Brincando de boa vontade, a humanidade se diverte."p.126

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Um livro por dia: Minha temporada parisiense na Shakespeare and Company

MERCER,Jeremy. Um livro por dia:  Minha temporada parisiense na Shakespeare and Company. Rio de Janeiro; Casa da Palavra, 2007. 318págs.


Tenho que confessar que ao passar das páginas do livro, me deu uma enorme vontade de colocar um pouco de roupa numa mochila e partir rumo à Paris, sem data de volta, sem lenço nem documento e me hospedar nessa simpática livraria. Talvez seja coisa de espírito aventureiro ou uma forma romântica de viver a vida! Imagina passar os dias numa livraria, morando de graça, podendo ler todos os livros que quiser, na hora que quiser, sem preocupação, tendo contato com pessoas de todo mundo e em Paris?! Um dia... um dia...




Pois é exatamente disso que o livro trata: a vida vivida em uma livraria em Paris!

O personagem principal é Jeremy Mercer (o próprio autor do livro), canadense, formado em jornalismo, que trabalha na seção criminal de um jornal e que, depois de alguns problemas e a 'crise dos 30 anos', parte para Paris com um bilhete só de ida, uma mochila, um pouco de dinheiro e muita coragem!



Apesar do livro não ser um biografia e sendo muito sincera, pra mim o personagem principal é George Whitman, o proprietário da livraria, marxista-comunista e eterno sonhador. Acredita que é possível mudar o mundo, ou pelo menos, a vida de uma pessoa. As portas da livraria estão sempre abertas para quem quiser chegar, passar um tempo para poder escrever uma obra e respirar literatura 24h por dia! Tem  uma passagem no livro que descreve muito bem esse cara fantástico, no qual eu me tornei fã e que gostaria de ter o prazer de conhecer (infelizmente, ele faleceu em 14 dezembro de 2011, aos 98 anos)  :
" (...) Talvez eu desapareça sem deixar para trás bem terrenos - apenas algumas meias velhas e cartas de amor, e minhas janelas para a Notre-Dame para que todos desfrutem, e minha pequena lojinha adorada de cacarecos cujo lema é "Não seja um mal anfitrião para os estranhos, pois eles podem ser anjos disfarçados." Talvez eu desapareça sem deixar endereço, mas talvez eu ainda esteja com vocês em minha jornada vagabunda pelo mundo."

Essa é uma foto de George e sua filha, Sylvia, que hoje é a responsável pela livraria.


Um diálogo muito interessante ocorre quando Jeremy questiona George: se o comunismo é tão bom, por que há tantas histórias ruins sobre seus regimes? A resposta dele é sensacional e vale a pena ler!

Mas, voltando ao livro...

 Durante 4 meses, Jeremy permanece morando na livraria, onde fez grandes amizades, passou por uns 'perrengues', teve grandes amores, muitas decepções, aventuras para ser contadas num livro e muitos livros lidos...
Não é uma grande livro, daqueles que declaramos ser o melhor já lido! Em certos momentos chega a ser cansativo, desanima um pouco e acaba se tendo uma leitura arrastada, mas quando termina a última frase, vem a sensação de querer um pouquinho mais... Vale a pena ler!
Ah, e claro, quem sabe um dia realizo um dos meus sonhos e abro uma filial da "Shakespeare and Company" no Brasil? É uma coisa a se pensar!!!

Mais uma foto da livraria...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Sou louca por você

BOSCO, Federica. Sou louca por você. Rio de Janeiro; Bertrand Brasil, 2010. 179 páginas.


Quem já passou ou está prestes a passar pela tão temida 'crise dos 30 anos', talvez entenda melhor a protagonista do livro e suas histórias...Confesso, estou quase lá!
A personagem principal se chama Monica, italiana e que vai para Nova Iorque realizar seu grande sonho: se tornar uma grande escritora e entregar um bilhete de agradecimento para o seu autor favorito, J.D. Salinger ( O Apanhador no Campo de Centeio). No auge dos seus 31 anos,  se 'descobre' trabalhado em uma loja de tecido, convivendo com as donas, duas irmãs com mais de 80 anos, sem perspectiva e muito menos, sem um relacionamento sério! Ou seja, depois de muitos encontros as escuras e decepções, assume a sua 'solteirice' (acredita estar encalhada mesmo!!!) Divide o apartamento com mais duas pessoas: Mark - homossexual que sonha em adotar um filho , e Marta, uma cantora negra e entendida de astrologia. A cada dia, tenta lidar com as exigências de TER um namorado, TER uma família, TER um grande emprego e TER uma vida normal e SER equilibrada... Uma frase resume bem a protagonista: "No fundo, faz 31 anos que vivo comigo, e não é pouco... é uma relação séria."
Esse livro me lembra muito o filme de Bridget Jones (à moda italiana) e me arrancou algumas risadas! Ainda não entendi o título do livro, pois não condiz com a histórias, mas...
Não é um grande livro, mas é leve e engraçado...


"Quer fazer o favor de parar de brincar? Você já tem mais de 30 anos, e o mundo, sinto te decepcionar, não gira a seu redor... Não gira ao redor de ninguém. Estamos todos aqui tentando nos virar na vida e conviver com nossas frustrações e as nossas dores, e não é fácil para ninguém! Mas saiba que assim as pessoas não vão querer ficar perto de você, porque depois de te consolarem um pouco, vão se cansar, vão entender que, no fundo, você está pouco se fodendo para todo o mundo, menos para o seu pequeno mundo encantado, e tudo o que você quer fazer na vida é se lamentar de como é azarada porque não gosta do trabalho que faz e não tem namorado."p.159

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A profecia Dark - série Grau 26

ZUIKER, Anthony E. & SWIERCZYNSKI, Duane. A profecia Dark. Rio de Janeiro; Record,2011.


Esse é o segundo livro do 'thriller' da série Grau 26...






O primeiro livro, que tem como título Grau 26 - A Origem do Mal. De acordo com o livro, nos Estados Unidos, os assassinos são classificados de acordo com sua perversidade, entre Grau 1 e Grau 25. Sendo o primeiro são os simples oportunistas e o último, os torturadores metódicos. Porém, acaba de surgir uma nova categoria de assassinos, considerados Grau 26.


O livro conta a história de Sqweegel - considerado o mais perverso dos assassinos e de Steve Dark, o policial que trabalha na Divisão de Casos Especiais e que chegou mais perto de capturá-lo, o único que conhece e pensa como o monstro. E, como numa armadilha, Dark se vê envolvido nos esforços do governo em capturar esse assassino. 


O livro realmente prende... o assassino é de tamanha perversidade que, confesso, quando terminei dormi com a luz acesa! Um detalhe muito interessante: é um romance digital interativo. Conforme o passar das páginas, senhas são liberadas para os vídeos disponíveis no site do livro: grau26.com 
O principal autor do livro é o criador da série de TV estadunidense CSI.

E, agora foi lançado o segundo livro - A profecia Dark.



Confesso que me decepcionei um pouco com o segundo livro da série Grau 26. Infelizmente o autor não conseguiu manter o mesmo nível de 'terror' e suspense que o primeiro livro. Inclusive, me levou a questionar se os novos assassinos são mesmo tão perversos quanto Sqweegel. Eu, acredito que não. 

Depois de 5 anos da descoberta desse novo assassino, Steve Dark é colocado em uma nova investigação, mesmo estando afastado da Divisão de Casos Especiais. Ocorrem vários assassinatos e todos estão ligados aos baralhos do Tarô. As cenas dos crimes são são montadas de acorda com uma sequência do Tarô.

O interessante desse livro é que algumas questões, deixadas em aberto no livro anterior, são respondidas, como por exemplo, o por quê de Steve Dark ser tão importante para o governo e o por quê de sua saída da Divisão.E, também, surge uma nova personagem (que foi citada no livro anterior), que busca por justiça e se alia a Dark. Apesar de eu considerar o livro como um livro policial comum, vale a pena lê-lo, pois até tem uma boa história. Mas, não o suficiente para tirar o sono e aterrorizar seus sonhos.

"Muitos homens enlouqueceram tentando lutar contra seu destino ou modificá-los, mas é uma bobagem. O destino é mais importante do que podemos imaginar. É impossível nos desviarmos do caminho que ele nos designou." p.225 

domingo, 8 de janeiro de 2012

Feliz Aniversário, querida estranha

GARCIA, Tatiana Busto. Feliz Aniversário, querida estranha. São Paulo; Sá Editora, 2011. 163 páginas.

Esse foi o exemplo de livro que eu costumo comprar por curiosidade! Ok, ao dizer isso à um amigo, ele questionou: Mas, todos os livros não são comprados por curiosidade? Eu disse que não! Pois esse é totalmente diferente, pois eu simplesmente, quando estava na fila para pagar outro livro que estava comprando, gostei do título, fiquei curiosa e comprei! Bom, com um detalhe, eu comprei esse livro numa pequena livraria em Santos/SP... E não é que valeu muito a pena ter comprado!
Que livro gostoso de se ler! É pra descansar mesmo a cabeça!

A história gira em torno de dois personagens, Sara, uma adolescente de 16 anos, e Francisco, um jornalista de 40 anos que, em um único dia, ou melhor, em uma única tarde vêem suas vidas transformadas! Sara e Francisco estão no mesmo local e no mesmo horário, quando ocorre um assalta ao prédio comercial em que eles estavam e juntos, permanecem presos em um depósito. Era uma segunda-feira, de muito calor, aniversário de Sara (de 17 anos) e dia de ir à psicóloga (obrigada pela mãe, pois acredita que a filha não é nada normal)... Confinados em um espaço minúsculo com um desconhecido - Francisco, Sara, ironicamente, acaba descobrindo seus verdadeiros medos e que a transformará pelo resto de sua vida!

Com uma escrita leve, muitas vezes engraçada (chega a ser hilário e que realmente arranca boas risadas!), irônica e delicada, a autora consegue transformar a relação ' psicológica' de dois personagens em uma boa história!

"Apesar de nos conhecermos há apenas algumas horas, você fez que eu me sentisse um completo imbecil por várias vezes. Mas, para falar a verdade, acho que há muito tempo eu não me sentia tão vivo ao lado de alguém." p. 127

sábado, 7 de janeiro de 2012

A Insustentável Leveza do Ser

KUNDERA, Milan. A Insustentável Leveza do Ser. São Paulo; Companhia das Letras,2008. 307 páginas.

Até o momento, não posso reclamar dos livros escolhidos (ok! Mas esse é o segundo do ano!), e esse foi mais um que me surpreendeu. Confesso que sempre tive a curiosidade de lê-lo, inclusive não assisti o filme - com o mesmo título - por causa da teimosia e mania de ler o livro antes!
E, surpreendentemente (outra vez!) ganhei o livro de presente de um grande amigo, no final de 2011 e, sua dedicatória fez com que eu, finalmente, encarasse essa leitura: "Para aquela que já leu (quase) tudo: a leveza construída num contexto político e social pesado," E, é assim que começo a falar sobre essa leveza!!!

Para se entender a complexidade do livro, uma contextualização é necessária: lançado em 1982, o livro foi escrito no auge da Guerra Fria, em um mundo dividido em esquerda e direita, comunismo/socialismo e democracia, bem e mal, certo e errado... O romance se passa na cidade de Praga (hoje, República Tcheca), na década de 1960, durante a invasão russa à Tchecoslováquia. O clima de tensão é permanente, assim como à caça aos comunistas e a busca pela liberdade! Porém,o que mais me chamou a atenção não foi o clima político - que até entendo que talvez tenha sido essa intenção do autor... Mas foi a complexidade dos personagens e das relações sociais.
São quatro protagonistas: Tomas, Tereza, Sabina e Franz. E que, de alguma forma - principalmente emocional, estão ligados entre si! A relação doentia entre Tomas e Tereza, o impulso sexual entre Tomas e Sabina e Franz, as consequências das decisões, o passado não resolvido, os erros de uma única pessoa que mudam a vida de várias, o belo, o trágico, as dores, os amores, as descobertas, a dependência afetiva, a necessidade de libertar, o questionamento de que "tem que ser assim?", a certeza de que "Sim,tem que ser assim!", o peso e a leveza do ser!
Esse é o resumo! Seria injusto da minha parte relatar mais...
É um livro complexo, pesado, exige do leitor, dolorido, angustiante... Mas, excelente!

"Mas o que pode valer a vida , se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que leva a vida a parecer sempre esboço. No entanto, mesmo esboço não é a palavra certa, pois um esboço é sempre o projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço é a nossa vida não é o esboço de nada, é o esboço sem quadro. Tomas repete para si mesmo o provérbio alemão: einmal ist keinmal, uma vez não conta, uma vez é nunca. Poder viver apenas uma vida é como não viver nunca" p.14

P.S. - por muitas vezes, Beethoven é citado, portanto, seria impossível escrever não tendo como trilha sonora Ludwig van Beethoven! Fica a dica!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O próximo livro...

... a ser lido será A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera.

A Elegância do Ouriço

BARBERY, Muriel. A Elegância do Ouriço. São Paulo; Companhia das Letras,2008. 350 páginas.

Com um humor extremamente sarcástico, inteligente, sensível e irônico, a autora dá vida à sua obra-prima.

O livro narra a história e o cotidiano de duas personagens: uma senhora de 53 anos, viúva, que é concierge no prédio localizado no número 7 da Rue de Grenelle, um condomínio luxoso no coração de Paris; e  uma garota de 12 anos que planeja, em seu próximo aniversário de 13 anos, cometer o suicídio e colocar fogo no apartamento em que mora, nesse mesmo condomínio.

A garota se chama Paloma Josse, que apesar de pertencer a uma família rica, se questiona sobre o verdadeiro sentido da vida, ao não mais encontrá-lo na figura de seu pai, parlamentar respeitado, de sua mãe, uma dondoca que acredita que, apesar de ser viciada em remédio tarja preta, foram seus 10 anos de terapia que a equilibraram e, sua irmã, uma metida a intelectual, que estuda filosofia, mas que tem o cérebro menor que de uma abelha e vive no senso comum... Além de seus vizinhos ricos e 'vazios' e seus colegas esnobes! É uma personagem extremamente rica e imprevisível! E porque não Mefistofélica? (licença poética!)

Do outro lado, têm Renée Michel, uma senhora que se auto - intitula como autoditada, proletária e concierge. Inteligência é sua característica mais marcante... apaixonada por livros - principalmente literatura russa e filosofia, além das artes, tem um gato que se chama Leon - em homenagem à Leon Tolstói, autor de Anna Karenina, é capaz de discutir Kant e Metafísica como se falasse da meteorologia, enquanto toma sua xícara de chá! Apesar de toda a sua inteligência, assume o papel de 'débil mental' para se passar despercebida em seu trabalho.

Ambas as personagens tentam, dia a dia, apagarem sua existência e têm sucesso em se tornarem invisíveis aos olhos dos outros, apesar de serem extremamente ricas em suas vidas interiores, e de estarem sempre atentas ao que acontece ao seu redor, principalmente quanto às intenções das pessoas nas quais convivem e seus preconceitos. Elas se protegem de qualquer indiscrição, contra qualquer comportamento e qualquer ameaça que possa levá-las a serem descobertas. Descobrirem que são sensíveis, inteligentes, cultas e mordazes, principalmente dos moradores do edifício e da sociedade francesa em geral. 

Eu, como uma Cientista Social, não poderia deixar de comentar sobre o preâmbulo do livro,que  há uma discussão sobre Karl Marx: "Marx mudou totalmente minha visão de mundo". E Renée questiona (em pensamento) o personagem que diz essa frase, pois ele realmente acredita que Marx se resume em A Ideologia Alemã! A divisão de classes é totalmente perceptível no livro, uma divisão clara entre burgueses e proletários, onde o papel do socialismo, do comunismo e do sistema capitalista são colocados à prova. Engana-se que o livro se torna pesado ou até mesmo chato, por causa disso... Há duas passagens bem cômicas a respeito de Marx e da política:
"É, política... um brinquedo para os riquinhos, que não emprestam a ninguém" p. 31
"... as elites atuais... metidos a filósofos, que lêem Marx e vão em grupo ver O Exterminador do Futuro..." p.32

Vale lembrar que a autora, nascida em Marrocos, lecionou filosofia em Saint-Lô, na Normandia. Isso explica muita coisa...

Não é uma leitura fácil, pois exige um pouco do eleitor, principalmente nos momentos em que Renée busca em grandes filósofos - e por que não dizer grandes pensadores - para entender o sentido de sua vida! Mas, tenho o enorme prazer em dizer que o livro é de uma elegância que faz jus ao título, além das duas heroínas, Renée e Paloma, que nos leva ao auge da emoção, sendo impossível conter às lágrimas.

"... afinal, talvez seja isso a vida: muito desespero, mas também alguns momentos de beleza em que o tempo não é mais o mesmo. É como se as notas de música fizessem uma espécie de parênteses no tempo, de suspensão, um alhures aqui mesmo, um sempre no nunca. Sim, é isso, um sempre no nunca." p.350

domingo, 1 de janeiro de 2012

Inciando em um Ano Novo...

Ano novo, vida nova... não sei se é exatamente isso, mas é, pelo menos, blog novo e livros novos!!!

No ano passado, ou seja, em 2011, li um livro que me deixou um tanto quanto animada ou tentada em fazer o mesmo que a autora: ler 1 livro por dia. Mas, não basta apenas ler, tem que resenhar e comentá-lo.
Confesso que, por mais que eu tente e queira, é praticamente impossível conseguir cumprir esse desafio, afinal, o dia a dia me engole de tal forma, que às vezes, mal consigo ler uma linha se quer!
Mas, bora tentar...
A proposta é a seguinte: ler o máximo de livros em um menor tempo possível. E, postar, a cada leitura, sua resenha e minhas opiniões a respeito. Serão livros de todas as classificações possíveis, desde um romance (daqueles 'água com açúcar', que nos fazem chorar e torcer para um 'felizes para sempre'), passando pelos meus preferidos, os de ficção policial, escolhendo algumas biografias, romances históricos,terror, suspense...
Farei o possível para conseguir ler todos os livros selecionados, mas, caso encontre pelo caminho aqueles que, por mais que tentemos, não conseguimos passar da 10a página, será deixado de lado, mas não esquecido...

O primeiro livro escolhido foi A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbey.

Seja Bem Vindo...

... E que seja um ano cheio de boas leituras, encantamentos e viagens inesquecíveis...
Afinal, os livros e suas histórias são Minhas Vidas Sem Mim...